quarta-feira, 6 de março de 2013

Pra lembrar daquele nosso sonho

Eu não tenho certeza se deixei a porta aberta enquanto dormia, mas ele entrou novamente sem perguntar. E nunca é o mesmo, o rosto é um pouco mais infantil, as calças um pouco mais apertadas, a voz é dublada pelo inconsciente. Pessoas vestidas de modo elegante em meio à chuva, deveria ser o aniversário de alguém que dera errado. Todos os convidados molhados, muita gente conhecida rindo e achando aquilo a coisa mais empolgante que poderia ter acontecido. Eu mantinha os olhos fixos nele, que sempre andava acompanhado de mais dois desconhecidos vestidos de preto. Eu lembro de uma gravata entre os dedos e um óculos ensopado entre os olhos, eles falavam de mim enquanto eu simplesmente corria de um lado pro outro atrás de abrigo. Senti aquela inocência de antes, acordei sentindo a sujeira de hoje.

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