quarta-feira, 16 de maio de 2012

51 Faltas e contando

    Vejo que não pertenço mais à um só canto. Me deixei levar por muita gente e agora sinto tanto que sinto muito. Eu poderia fazê-la feliz, eu poderia ser mais feliz, poderia agradar quem me ama mas eu finjo que não é importante. Agora eu vejo a foto delas sorrindo, deles sorrindo,  dele sorrindo, e de quando eu sorria mais e tudo isso me ataca o peito. Pensar na faculdade sem olhar pros cálculos em cima da mesa, sem controlar a ansiedade ou o impulso de desaparecer. Eu sumo, e eu sinto que alguns deles temem por isso. Egoísmo, falta de comunicação, nossa como eu já me enchi disso vindo dos outros. Espero tomar jeito em breve pra poder acabar o ano sem mais preocupações.
   Comer é a saída já que até agora eu ainda não me contentei com quase nada, nem com todos os gritos do mundo eu consigo entender o que me faz feliz. Ah, compus uma música falando sobre isso, mas a letra ainda é um pouco sombria demais, algo que eu devo guardar pra quando não estiver no centro da roda. Será mesmo que eu nasci pras letras? Tudo fica tão embaralhado, são anos inteiros gastos nisso. Só queria que meu pai durasse mais que o cigarro que ele leva no bolso do abrigo, pra que pelo menos ele pudesse me ver bem, com dinheiro e descansada. Esse cara merecia bem mais do que um "tô saindo", eu deveria ser mais verdadeira assim como eu sou aqui. Meu problema é inventar uma família pro resto das pessoas, como se eu só narrasse os lances e nunca quisesse brincar de parente com eles, vejamos no próximo dia do nhoque quem sabe.

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