quarta-feira, 25 de abril de 2012

Caderneta n°1

         O que eu ando fazendo comigo mesma não possui descrição, eu ando me contrariando demais, me perdendo demais, escrevendo demais. Ando preferindo a solidão pra poder pensar no que fazer enquanto não estiver só, como se o silêncio e algumas reclamações mudassem muita coisa. Os dias andam mudando, chega de se enrolar nas cobertas e imaginar tudo outra vez. Dobrando uma dessas esquinas eu tive a ideia mais sensacional e torturadora que eu poderia ter, pensei que não me basta ser a maça de Newton, cair e apodrecer sem créditos, eu tenho que ser a ideia que  brota e permanece sendo matutada com carinho. Mas uma grande ideia nunca é exposta ao mundo de primeira, por isso eu preciso de um tempo pra mim. É, tão fácil dizer não pros outros e tão difícil me negar um desejo, dois talvez. Comecei a me sentir em casa quando estou em casa, a cansar das minhas comidas favoritas, a não sentir mais vontade de ter a mesma cara de sempre. Criei até algumas frases que eu sinto que já existem, como "Eu tenho vontade do que não conheço e medo do que me conhece", tão óbvio e tão sincero.
       Sobre a maravilhosa teoria de Newton que eu mesma cheguei a inventar, os resultados variam. Eu que sempre tentei preservar as coisas ao máximo digo que racionalmente esse é o melhor jeito de viver, equilibrando as coisas, logo ela me vem com essas histórias de que só se vive uma vez e me empurra pro lado dos desejos, aquele que até mesmo eu apoio. Eu queria poder ser algo menos concreto, poder mudar de opinião quando quisesse, poder ser mais ideia do que maça e assim não me perder tanto no figurativo, poder ser mais eu do que aparento ser.

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